Armazenagem na História da Humanidade

Cientistas franceses, estudando o comportamento da humanidade nos seus primórdios, chegaram a uma interessante e curiosa conclusão. Um marco importante da história da humanidade, dizem, quem sabe o marco divisor, poderia ter sido o início da prática da armazenagem.

Para os pesquisadores, mesmo os mais notáveis feitos da humanidade não teriam a importância que teve a experiência e o aprendizado da armazenagem na vida das pessoas e dos povos. Com ela, os agrupamentos, antes nômades, deixaram de vagar de terra em terra à cata do alimento, e passaram a colher e armazenar para o consumo diário e os períodos em que a natureza não os agraciava com seus generosos frutos.

Estabelecidos, não mais abandonavam as suas terras, construíam aldeias e, fixados ao solo, passavam a cultivar de forma mais intensa, a colher e a armazenar, o marco, que poderia dividir a história da humanidade, o antes e o depois da armazenagem.

O Museu Britânico preserva até hoje um papiro com uma história do Egito, em que se conta sobre a fome que sobreviria ao país. Seriam sete anos de grandes safras, boas produções de grãos, haveria fartura e sobrariam mantimentos. Mas haveria, a seguir, outros sete anos, estes de miséria e fome, sem produção de alimentos.
 

O livro de Gênesis, Capítulo 41, parte do Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, também registra a história egípcia que envolveu o hebreu José, nos idos dos anos 1700 a.C., de onde destacamos:
 

V.29 - “E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito”.
 

V.30 - “E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra”;
 

V.35 - “E ajuntem toda a comida destes bons anos, que vêm, e amontoem trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem”.
 

V.36 - “Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome, que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome”.
 

O fato nos interessa, pois se trata de uma experiência de 3.700 anos atrás, em que uma nação implanta um programa extraordinário de produção, experimentando sete supersafras e armazenando os excedentes para, findo o período, abrindo os depósitos e silos, retirar os grãos, especialmente trigo, em boas condições para o provimento, “para que a terra (o povo) não pereça de fome”.
 

Sem os recursos de hoje, sem tecnologia, sem produtos químicos, sem tantos outros conhecimentos, porém com determinação, força política e sabedoria, implantaram um plano de produção com separação de um quinto das safras ao longo dos sete anos para armazenar. Aqui o novo desafio, armazenar para períodos de 1, 2, 3 anos, e períodos longos de 5, 6 e 7 anos.
 

O fato serve como estímulo a nós brasileiros para mostrar que basta querer produzir, e não haverá de faltar alimentos e não mais haverá a fome.
 

 
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